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Presidente Pepeu Garcia analisa a fusão Sadia-Perdigão em entrevista à Radio Nacional de Brasília • OEconomista

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Presidente Pepeu Garcia analisa a fusão Sadia-Perdigão em entrevista à Radio Nacional de Brasília

Autor: O Economista – 23 de maio de 2009

Rádio Nacional de Brasília – Programa Revista Brasil – Entrevistado por Valter Lima. Dia: 21/05 às 9h40 Tema: Fusão das empresas Sadia e Perdigão – Os prós e os contras / monopólio no mercado O Presidente do COFECON, Pepeu Garcia concedeu na quinta-feira, dia 21 de maio, entrevista ao âncora Valter Lima, do Programa Revista Brasil, da Rádio Nacional de Brasília e por Andréia Tavares. O Presidente Pepeu foi requisitado pela emissora, que teve assim o cuidado de oferecer aos seus ouvintes uma visão ampla do significado de uma fusão deste porte, pois, como sabemos, somente economistas podem ponderar todos os aspectos econômicos e sociais que uma transação desta envergadura pode gerar.

Com sua larga experiência profissional e acadêmica o presidente Pepeu falou aos ouvintes da emissora por mais de 20 minutos, onde analisou os aspectos locais, nacionais e internacionais até, desta que será a partir de sua efetivação, a terceira maior exportadora brasileira, provavelmente a maior empregadora do país, e geradora de receitas que ascendem a 22 bilhões de reais, mais de 10 bilhões de dólares, 40% advindos de suas exportações.

Pepeu Garcia discorreu sobre o assunto realçando o lado positivo da fusão, o alcance competitivo que a nova empresa terá na consolidação de mercados externos já conquistados, assim como na conquista de novos segmentos para exportação. Falou na força de uma empresa deste porte, e no significado da venda de uma marca tão forte, brasileira, com Brasil com “s”, ou seja, da venda de mais uma grande empresa preparada para enfrentar o mercado mundial, fator positivo brasileiro na disputa dos mercados globalizados. Lembrou, neste caso e neste segmento, da JDS Friboi, outra empresa que atua com força no mercado de alimentos.

Lembrou também os lados que mais preocupam num processo como esses: pelo lado do emprego, pelos eventuais cortes que possam gerar um enxugamento de e racionalização de processos; gera “aquele medo entre produtores e consumidores”, produtores que se vêem com menor poder de pressão, pois vão ter um comprador mais concentrado ainda, com maior poder de barganha nas suas relações com uma empresa gigante como a que surge, e consumidores que poderão ser prejudicados com a diminuição da concorrência entre as duas marcas gigantes e dominantes até então do mercado de vários produtos, margarinas, massas prontas, frios, congelados, etc.

Sob o aspecto interno, falou ainda o Presidente Pepeu como funciona o mercado e em termos teóricos e acadêmicos o que seria um eventual processo monopolístico que poderia eventualmente se ensaiar com a construção de uma empresa tão poderosa; neste aspecto lembrou de fusões anteriores, como a que juntou no mercado de pastas dentais as marcas de Kolynos e Colgate, e as providencias que o CADE tomou na ocasião, a suspensão por quatro anos da primeira, para diminuir a concentração.

O Presidente Pepeu discorreu sobre como tem sido a atuação do CADE, que já considera também as perspectivas de construção de empresas/marcas mundiais e de sua importância para o país e sua economia, e não só para aspectos internos de concorrência, esses bem mais simples de serem controlados e administrados para que não sejam os consumidores prejudicados por opressões ilegítimas geradas na falta de concorrência.

A tendência mundial para a grande concentração de corporações, foi outro ponto relevante lembrado por Pepeu Garcia; talvez o que ocorre agora tenha pontos questionáveis sob o ponto de vista da economia local, mas é, sem dúvida, uma necessidade, visto sob o ponto de vista da economia global, globalizada; lembrou, por exemplo, no mercado de bancos, a compra do Banco Real pelo Banco Santander, o que apressou a compra do Unibanco, pelo Banco Itaú, certamente para que este último se mantivesse na ponta, mais firme na disputa pelo mercado, e com sua marca mais consolidada ainda.

“Assim, grandes corporações estão se tornando maiores ainda, e não há como enfrentar o mercado mundial, no caso da Sadia/Perdigão, exportadoras, e de outras, senão procurar caminhos como esse, da fusão, para se tornarem fortes internacionalmente, para vender para o mundo inteiro; isso vai servir de referência para outras empresas, que poderão seguir este mesmo caminho na sequência dos acontecimentos”, analisou Pepeu Garcia.

Outro aspecto novo da fusão ocorrida, lembrado pelo Presidente Pepeu, é que Perdigão e Sadia atuavam no mercado internacional praticamente como concorrentes, disputando os mesmos mercados de países árabes, Ásia e Oriente, Comunidade Européia, alguma coisa na América, mas que agora passam a atuar juntas sob uma mesma marca, com a soma de seus poderes de fogo, ou seja, com o dobro de poder de negociação, para entrar em disputas e concorrências com muito mais determinação: “Só para se ter uma idéia, a Brasil Foods estará perto de uma marca como a Kellog’s, em termos de mercado de alimentos, ou seja , a força da nova empresa será muito grande ora em diante no mercado internacional”, previu.

“Entretanto, a participação da Brasil Foods no mercado interno, com, por exemplo, os 52% da Sadia mais 18% da Perdigão, ela terá 70% do mercado de margarinas do país, o que preocupa é a cartelização de preços, tanto do lado dos fornecedores como dos consumidores”, voltou a lembrar Pepeu Garcia. “Mas o ganho para a economia brasileira é patente, pois essa nova empresa ajuda ao Brasil a deixar de ser exportador de matérias primas, de matérias primárias, pois nesse caso o país vai melhorando seu perfil, não exportando mais apenas a soja ou a carne retalhada, exportando produtos processados; esse é um processo muito útil ao país”.

Pepeu Garcia afirmou ainda não acreditar na “história da carochinha” de que haverá até redução de preços, pelos ganhos de competitividade que advirão da fusão, como chegaram a propor os dois presidentes na coletiva de imprensa que deram. “Com o poder de negociação que eles terão, preocupados devem ficar os suíno-cultores, os avicultores, muito mais preocupados do que os consumidores; o fato de não haver aumento nos preços já acho que seria um grande ganho para os consumidores brasileiros”. Estes foram alguns dos principais aspectos da entrevista concedida pelo presidente Pepeu Garcia. Em breve estará disponível aqui mesmo no site COFECON o áudio completo do programa, tão logo seja remetido pela emissora.

Sergio Storti – Assessor Especial de Comunicação – COFECON

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Fonte: www.oeconomista.com.br/presidente-pepeu-garcia-analisa-a-fusao-sadia-perdigao-em-entrevista-a-radio-nacional-de-brasilia

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