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PIB vai bem, mas o povo vai mal • OEconomista

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PIB vai bem, mas o povo vai mal

Autor: O Economista – 4 de junho de 2009

Notícias de LISARB: um país às avessas Quando o PIB vai bem, mas o povo vai mal

Por Marcus Eduardo de Oliveira

Introdução

Esta é uma triste história recheada com números e indicadores sócio-econômicos reais de um país chamado “LISARB” (coincidentemente significa Brasil, ao contrário!) onde quase tudo, principalmente em termos econômicos e sociais, ocorre fora do senso comum, longe dos padrões tidos como “normais e desejáveis”; como se esse país fizesse tudo (ou quase tudo) às avessas, contrariando, assim, a boa conduta em matéria econômica.

De contradições em contradições, esse país realmente parece andar na contramão. Tem potencial para crescer, mas não cresce. Possui a quinta maior força de trabalho do mundo e um mercado doméstico dinâmico e em expansão. Atente-se, para tanto, ao fato de que o grau de abertura da economia desse país é de 23% – soma das exportações mais as importações em relação ao PIB (Produto Interno Bruto)-, o que significa que o mercado interno é responsável por 77% do que é consumido em LISARB. No entanto, algo parece puxar para baixo a expansão econômica de um país que nos últimos 20 anos teve como base uma política exportadora, em detrimento desse mercado doméstico potencialmente favorável ao crescimento econômico.

As contradições Nesse curioso país, as contradições econômicas são, no mínimo, intrigantes e, algumas, verdadeiras aberrações: poucos ganham muito e muitos, nada ganham. A renda é fortemente concentrada nas mãos de uma minoria. Aqueles que compõem o 1% mais rico da população de LISARB controlam aproximadamente 10% do PIB nacional, a mesma proporção que é controlada pelos 50% mais pobres da população.

Esse país tem uma massa de pobres e miseráveis (mais de 40 milhões que ganham menos do que o equivalente a dois dólares por dia), mas fabrica e exporta, por exemplo, aviões de uso militar e civil. Por sinal, LISARB possui a terceira maior fabricante de aviões do mundo (com mais de 5 mil aeronaves produzidas), perdendo apenas para a Airbus e a Boeing. Tem um mercado interno grande e potencialmente significativo, mas prefere atender ao mercado externo. Os pobres desse país – mais de 40 milhões – passam fome, embora nas terras agricultáveis disponíveis (mais de 600 milhões de hectares ao todo), os governantes nunca tenham feito com seriedade uma reforma agrária ao longo dos mais de 500 anos de história que esse país possui. Embora haja fome em LISARB, a política econômica está (e ao que parece sempre esteve) a serviço das exportações de alimentos e vitaminas, incluindo, por exemplo, pó de acerola (vitamina C) exportado ao Japão. É curioso observar que em apenas 100g (que contém 1790 mg de vitamina C) de acerola, a quantidade de vitamina C é cerca de 40 vezes maior do que da laranja. Três unidades de acerola (+ ou – 30g) é a necessidade diária de uma pessoa adulta, e apenas uma frutinha supre a necessidade de crianças de 1 a 12 anos. Entretanto, milhões de crianças de LISARB nessa faixa etária jamais colocaram na boca ao menos 10 mg desse suco.

A indústria de calçados, da melhor qualidade, exporta seus modelos para pés estrangeiros, mais os governantes de LISARB não enxergam que muitos meninos e meninas em situação de abandono nas ruas continuam a pisar descalços. A cirurgia plástica de LISARB, com renomados cirurgiões, é uma das melhores do mundo, a ponto de parte considerável da elite local “torrar” fortunas na tentativa de buscar uma estética perfeita, no entanto, os governantes não conseguem dar uma vida melhor aos que, depois de tanto trabalharem e produzirem para esse país carregam as marcas das rugas na face e são humilhados nas filas da Previdência Social atrás de migalhas concedidas em forma de aposentadoria.

Dono do maior rebanho bovino comercial do mundo e um dos principais exportadores mundiais (para mais de 140 países) de carne bovina, LISARB consegue ter, ao mesmo tempo, uma massa incontável de habitantes que não sabe o que significa comer carne vermelha – nem a bovina, nem a suína e, muito menos, a carne branca, de frango e peixe. Muitas crianças e idosos desse país nunca tomaram um copo de suco de laranja (quem toma são as crianças e os idosos dos países árabes, para onde vai a exportação desse produto); no entanto, LISARB é responsável por 53% do suco produzido no mundo e por 80% das exportações dessa fruta. Assim também acontece com o maracujá (rico em vitamina do complexo B, em cálcio e fósforo) em que LISARB ocupa o posto de maior produtor mundial dessa fruta. Entretanto, cabe perguntar: dentre os mais de 40 milhões de pobres, quantos foram os que tomaram ou tomam suco de maracujá?

Para ler o artigo completo clique aqui.

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Comentários

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  • Nicolas

    05/06/2009 – 08:11:15

    Que tristeza ter que conviver com esses indicadores sociais, que por sinal se arrasta por tanto tempo. O nosso povo parece estar vivendo com a síndrome de “forrest gump ” correndo sem saber para que ou para onde está indo….vale ressaltar que é essencial investimento (Esta é a palavra chave), em setores estratégicos da economia. Não estou falando em “dar o peixe, mas sim ensinar a pescar” cabe a nós economistas, criar condições para que o povo crie sua própria renda e não fique na dependência da caridade… Artigos como esse deveria ser publicado não só em sites especializados, mas em vários meios de comunicação (Jornais, Telejornais, Rádios, Revistas, Boletins de Escolas públicas), assim promover a informação á todos não só uma parte seleta da sociedade…temos que ter pessoas informadas e conscientes em nossa sociedade, mesmo porque como dizia Jan Neruda: Quem não sabe nada tem que acreditar em tudo.

Melhore sua saúde financeira e tenha uma vida melhor
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Fonte: www.oeconomista.com.br/pib-vai-bem-mas-o-povo-vai-mal

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