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A responsabilidade de repensar • OEconomista

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A responsabilidade de repensar

Autor: O Economista – 3 de fevereiro de 2009

“…A globalização acompanhada de mercados livres, atualmente tão em voga, trouxe consigo uma dramática acentuação das desigualdades econômicas e sociais no interior das nações e entre elas.(1)” Assim observou Eric Hobsbawm em seu livro Globalização, Democracia e Terrorismo quando questionado sobre a pertinência de se discutir os efeitos da globalização neste início de século.

Parece estranho, neste início de 2009, trazer a tona a questão da globalização, porém na verdade ficará mais estranho ainda quando focarmos nas propostas de desenvolvimento aplicadas a cada ano entre as nações ricas e pobres. Em meio a crise que vivemos hoje, fica mais nítido ainda a acentuação e disparidades existente entre continentes, países e centros urbanos, que segundo Hobsbawm são as consequências do atual modelo utilizado.

Porém, para entendermos a estranheza e o contraste do que se é pregado e estampado diariamente em manchetes de jornais, precisamos retornar e desconstruir o conceito. E só assim buscarmos realmente pensar e elaborar propostas alinhadas com um verdadeiro desenvolvimento. Nos últimos dias, tanto no Fórum Social Mundial quanto em Davos, buscam-se diversas soluções para a questão acima abordada por Hobsbawm, porém ambos esquecem de tentar entender um pouco mais a raiz das propostas.

Longe de mim querer, com tão poucas palavras, descrever modelos econômicos e planos de desenvolvimento. Embora acredito ser realmente necessário seguir por este caminho. Quero apenas trazer a reflexão e discussão sobre o tema, conseguindo gerar uma consciência coletiva sobre o assunto já caminharemos um pouco mais em direção a igualdade, justiça e qualidade de vida que nossa sociedade tanto clama em qualquer parte do globo.

Enfim, Celso Furtado, no livro Os Ares do Mundo conduz o raciocínio de construção do conceito de desenvolvimento da seguinte forma: “…o estilo de vida criado pelo capitalismo industrial sempre será o privilégio de uma minoria. O custo, em termos de depredação do mundo físico, desse estilo de vida, é de tal forma elevado que toda tentativa de generalizá-lo levaria inexoravelmente ao colapso de toda uma civilização, pondo em risco as possibilidades de sobrevivência da espécie humana. Temos assim a prova definitiva de que o desenvolvimento econômico – a idéia de que os povos pobres poderão algum dia desfrutar das formas de vida dos atuais povos ricos – é simplesmente irrealizável…É nesse sentido que cabe afirmar que a idéia de desenvolvimento econômico é um simples mito.(2)” Ou seja, todas as consequências que temos visto e vivido nos últimos 10 meses, se levarmos em conta apenas o tempo do ápice da crise econômica, tem origem basicamente neste ímpeto da inserção de modelos econômicos em regiões que não suportam tais estruturas e o desgaste ambiental de outras regiões devido a enorme ganância exploratória.

Portanto, penso ser necessário e urgente avaliarmos nosso conceito de progresso e desenvolvimento, pois o que vemos é que o modelo seguido é insustentável. Se queremos realmente conduzir e gerar uma sociedade com qualidade de vida e sem desigualdades, precisamos avaliar as nossas propostas. E assim, usar as ferramentas da ciência e tecnologia, as quais neste século XXI se apresentam de forma abundante e tão próximas, como plataformas deste desenvolvimento.

Como Celso Furtado encerra seu raciocínio dizendo que graças a focalização errônea no conceito de desenvolvimento utilizado pelo mercado hoje, desviamos “ as atenções da tarefa básica de identificação das necessidades fundamentais da coletividade e das possibilidades que abre ao homem o avanço da ciência e da tecnologia (3)” e focalizamos apenas em como explorar, exportar e negociar de forma mais rápido e com menos custo. “Se irá poluir, desestabilizar o ciclo humano, ah isso e questão que poderá ser resolvida outro dia!”

João Baptista www.concepcoeseconjunturas.blogspot.com

Referências: (1) Globalização, Democracia e Terrorismo, Eric Hobsbawm, 2007, pág. 11. (2) OS Ares do Mundo, Celso Furtado, 2ª Edição 1992, pág. 193-194. (3) OS Ares do Mundo, Celso Furtado, 2ª Edição 1992, pág. 193-194.

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Comentários

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  • francisca de cassia nascimento

    06/03/2010 – 00:16:36

    Quem diria que o sistema capitalista viria abaixo, mostrando o outro lado da moeda e deixando o mundo em pânico com a sustemtavél economia americana falida e mundialmente falando de seus milhões… Eu diria, que as megaempresas ainda está lucrando com o suor de seus empregados.

  • Eduardo Novaes

    28/02/2009 – 23:57:32

    Pertinente o tema tratado no artigo acima, o Capitalismo precisa ser repensado urgentemente nas bases propostas nos comentários acima e principalmente, repensado em bases de sustentabilidade (social e econômica). Opino que uma das grandes lições tiradas da presente crise que vive o mundo econômico/financeiro, é de que os grandes pensadores do Capitalismo na linha do Liberalismo Econômico (atualmente Neo-Liberalismo), não devem subestimar a capacidade do estado, em ser um integrante ativo no processo econômico das Nações, querendo estes (os liberalistas), que o estado seja apenas o regulador/fiscalizador e que fique longe do mercado, pois como estamos assistindo nos quatro cantos do mundo, o estado (empresário incapaz !!??), é quem está salvando o tão poderoso capitalismo, através da aplicação de milhões e bilhões nas mais deversas moedas mundo a fora para salvar megaempresas, sobretudo as do ramo financeiro, daquela que seria a sua falência espetacular.

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Fonte: www.oeconomista.com.br/a-responsabilidade-de-repensar

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